As inovações tecnológicas provocaram uma série de mudanças na organização da sociedade e em suas relações com os mais variados aspectos da vida cotidiana. A quantidade de informações a serem absorvidas aumentou de forma excessiva nas últimas décadas, e as vias de acesso à essas informações multiplicaram-se rapidamente. A internet permite hoje que qualquer indivíduo tenha acesso a toda uma gama de fontes de pesquisa, bem como abre a possibilidade de um contato direto, ainda que em uma realidade “virtual”, com vários outros indivíduos interessados no mesmo assunto. Essa segunda possibilidade é, aliás, um dos pilares da nova relação da sociedade com a construção do conhecimento, que deixa de ser um dado pré-existente e acessível a alguns poucos privilegiados para se tornar o produto de uma construção coletiva.
De acordo com Pierre Lévy, no que se refere à educação, algumas mudanças seriam de caráter essencial para sua adaptação à esse novo paradigma da sociedade, destacando-se entre elas a mudança de atitude em relação às novas formas de aquisição do conhecimento e o reconhecimento desses conhecimentos adquiridos fora do binômio “tradicional” escola-universidade.
No que se refere à primeira mudança proposta por Lévy, deve-se ressaltar que, apesar de todas as inovações e transformações correntes, a EAD enfrenta ainda a resistência dos setores mais conservadores da sociedade, do qual fazem parte muitos dos educadores e gestores da educação. Experiências nas mais diversas áreas de aquisição do conhecimento, no entanto, têm mostrado que o modelo à distância, quando bem utilizado, pode fornecer uma série de vantagens adicionais ao processo educativo. Veja-se, por exemplo, a questão da flexibilização do tempo/espaço de estudo, que facilita o acesso a uma formação, seja ela de nível médio ou superior, a uma série de indivíduos que não teriam a disponibilidade de tempo necessária para obter a mesma formação em curso presencial. Além disso, a implementação de cursos à distância pode reduzir, em grande medida, os custos da educação, pois elimina a necessidade de uma série de recursos materiais, além de otimizar o tempo de dedicação do professor. Outra vantagem do modelo EAD é a disponibilidade de uma série de recursos didáticos de suporte ao ensino, como vídeo, áudio e mídias interativas. A interatividade entre alunos e professores e entre os próprios alunos também é favorecida pelo ambiente virtual, que diminui a distância hierárquica na qual o professor coloca-se como ator privilegiado, abrindo o processo de construção do conhecimento para que todos possam dele participar.
Ainda de acordo com Lévy, em um segundo momento, faz-se necessária uma mudança na política de reconhecimento dos saberes adquiridos de acordo com os novos modelos de aquisição do conhecimento, incluindo-se aqui os saberes não institucionalizados. É importante perceber que a escola e a Universidade deixaram de ser a única via de acesso ao conhecimento; o processo de ensino-aprendizagem espalhou-se de forma irreversível para ao ambientes de trabalho e convivência social. Nesse sentido, torna-se cada vez mais imprescindível reconhecer esses novos ambientes como fontes válidas de aquisição do conhecimento, valorizando as trocas de informações entre indivíduos e favorecendo a construção de um saber coletivo.
Referência bibliográfica
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999.